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Tecnologia e manejo ajudam 1,1 mil produtores da Vinícola Aurora a se adaptarem às mudanças climáticas

Tecnologia e manejo ajudam 1,1 mil produtores da Vinícola Aurora a se adaptarem às mudanças climáticas

O clima está no radar da viticultura gaúcha. Com a previsão de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses e a indicação de chuvas acima da média para o Rio Grande do Sul, produtores de uva precisam estar atentos às condições que podem influenciar no desenvolvimento da próxima safra.

Na Cooperativa Vinícola Aurora, esse acompanhamento faz parte de um trabalho permanente. Os 1,1 mil associados, que produzem uvas em pequenas propriedades distribuídas por 11 municípios da Serra Gaúcha, recebem orientações estruturadas em dados, tecnologia, pesquisa e assistência técnica.

Entre as ferramentas utilizadas estão as miniestações meteorológicas instaladas em pontos estratégicos das diferentes microrregiões onde estão os cooperados. Os equipamentos acompanham dados como temperatura, umidade e precipitação, auxiliando nas tomadas de decisão.

As informações alimentam ainda o Vitialerta, sistema de monitoramento voltado à detecção e resposta precoce a pragas, doenças e outras ameaças à viticultura. Os avisos gerados pelas miniestações ajudam a direcionar os tratamentos fitossanitários de forma mais precisa, contribuindo para reduzir perdas, custos e impactos ambientais.

O acompanhamento realizado pela Aurora também considera as projeções climáticas para os próximos meses. Recentemente, os produtores participaram de um encontro com a meteorologista do Climatempo Dayane Figueiredo, que apresentou os possíveis efeitos do El Niño até fevereiro de 2027 na região. Mesmo sendo uma projeção de longo prazo, o panorama permite identificar tendências para o ciclo produtivo da uva e avaliar, com antecedência, quais estratégias de manejo podem ser adotadas em diferentes fases e condições.

“O produtor quer saber como estará o clima para o período, em que fase pode acontecer alguma intercorrência e, dentro do que é possível controlar, como ele pode se preparar”, conta o gerente Agrícola da Cooperativa Vinícola Aurora, Maurício Bonafé.

A preparação para uma nova safra começa assim que a colheita termina. Todos os anos, a equipe Agrícola da Aurora avalia o comportamento das videiras, mapeia o potencial de fertilidade das plantas, as condições do solo e as tendências climáticas para o ciclo. A partir desse conjunto de informações, as estratégias de manejo são definidas de acordo com as características de cada propriedade e microrregião.

“Semanalmente, os agrônomos passam direcionamentos atualizados aos viticultores cooperados, conforme as condições encontradas. Em períodos de chuvas intensas ou acima da média, por exemplo, podem ser necessárias adequações na adubação e a intensificação de práticas como desfolha e desbrota”, explica Bonafé.           

A conservação do solo também é uma frente importante. Os produtores são orientados sobre o plantio de cobertura sob as videiras para reduzir a erosão e a perda da camada fértil provocadas pelas chuvas ou pelo excesso de seca. Em áreas de maior declive, a adoção de patamares, que são os degraus construídas em terrenos inclinados, contribui para o controle do escoamento da água.

Pesquisa para adaptar a viticultura

A estratégia de adaptação também envolve pesquisa e desenvolvimento de novas variedades. A Cooperativa Vinícola Aurora mantém um programa próprio, além de parcerias com instituições como a Embrapa Uva e Vinho, para avaliar cultivares e clones mais produtivos, resistentes e adaptados aos diferentes microclimas da Serra Gaúcha.

Um dos exemplos mais recentes é o trabalho realizado com as uvas BRS Lis e BRS Antonella, lançadas neste ano pela Embrapa. Antes de chegarem ao mercado, as novas variedades foram validadas durante seis anos por meio de testes em parceria com seis cooperados da Aurora.

A vinícola também está desenvolvendo internamente, em parceria com o Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), testes para outras 16 variedades. Entre elas estão clones melhorados de uvas já produzidas na região e novas cultivares mais resistentes ao míldio, uma das principais doenças da videira.

“O programa visa ampliar a qualidade da uva, a resistência, a menor necessidade de insumos e a adaptação a novas práticas de cultivo, incluindo possibilidades de condução para colheita mecanizada. A iniciativa também inclui pesquisas alinhadas às tendências de consumo, com ganhos para o produtor, para o meio ambiente e também ao consumidor”, enfatiza Bonafé.

Outra ação realizada pela Aurora é o Vinha Fértil, que identifica as gemas de maior fertilidade nos ramos e auxilia na definição da poda. A técnica busca equilibrar produtividade e qualidade dos frutos, com maior eficiência.

Resiliência e adaptabilidade

O acompanhamento técnico, o desenvolvimento de pesquisas e o acesso a informações qualificadas fortalecem a capacidade de adaptação e contribuem para a continuidade da atividade no campo.

Para a Cooperativa Vinícola Aurora, esse trabalho está relacionado à sustentabilidade da cadeia vitivinícola. Segundo o gerente Agrícola, Maurício Bonafé, as medidas contribuem para a estabilidade do fornecimento de uvas e para a qualidade da matéria-prima que vai para à indústria e, consequentemente, para a manutenção dos estoques no varejo e no fornecimento aos consumidores.

“Historicamente, temos uma participação de cerca de 10% a 15% na safra de uvas gaúcha e somos uma das maiores vinícolas do país. Precisamos investir em conhecimento, tecnologia e adaptação no campo que contribuam para a resiliência de toda a cadeia, do produtor ao consumidor”, finaliza Bonafé.

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Legenda:
Efeitos climáticos do El Niño podem impactar na agricultura, mas manejo adequado pode reduzir perdas e garantir a qualidade da matéria-prima.
Crédito: Anderson Pagani           

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