Carta do Louco prepara EP e aposta em gravação ao vivo para preservar a essência da música brasileira
A Carta do Louco está de volta ao estúdio. Depois de apresentar ao público suas primeiras composições autorais e dar início ao projeto em 2025, a banda caxiense formada por Mateus Bicca e Zeca Duarte prepara um novo capítulo de sua trajetória. A dupla trabalha na produção de um EP com cinco músicas, previsto para ser lançado no segundo semestre deste ano, com uma proposta artística que une poesia, diferentes influências da música brasileira e um processo de criação cada vez mais autoral.
O novo trabalho está sendo gravado no Estúdio Retrola, em Caxias do Sul, do reconhecido músico e técnico de som, Vini Lazzari, com apoio cultural do Financiarte, e representa um amadurecimento da identidade musical da Carta do Louco. A sonoridade segue enraizada na Música Popular Brasileira (MPB), mas ganha novos contornos ao dialogar com o pop brasileiro das décadas de 1970 e 1980, além de ritmos como samba, ijexá (ritmo de origem africana), bolero e até referências ao funk norte-americano. O resultado é um disco que passeia por diferentes atmosferas sem abrir mão de uma linguagem própria.
Outro diferencial está na forma como as músicas estão sendo produzidas. Em um momento em que boa parte das gravações acontece por camadas, com cada instrumento registrado separadamente, a Carta do Louco escolheu seguir o caminho oposto. As bases instrumentais do novo EP foram gravadas com todos os músicos tocando juntos em estúdio, valorizando a interação entre os artistas e a espontaneidade das interpretações.
"A gente gosta de preparar muito bem os arranjos, ensaiar bastante e registrar a banda tocando ao mesmo tempo. É uma forma de trabalhar inspirada na maneira como muitos discos clássicos foram gravados. Quando todos estão juntos, existe uma troca muito grande entre os músicos, e isso aparece naturalmente na música", explica Zeca Duarte.
As gravações instrumentais já foram concluídas e, agora, o projeto entra na etapa de registro das vozes. O novo trabalho mantém parte dos intérpretes que participaram do primeiro lançamento, mas também trará novidades. Entre elas, a participação de cantoras convidadas, cujos nomes permanecem em segredo e serão revelados apenas mais próximo do lançamento.
Nas letras, Mateus Bicca continua conduzindo o universo poético que deu origem ao projeto. As novas composições preservam o caráter reflexivo apresentado nas primeiras músicas e incorporam referências ao Tarô, à cultura brasileira e a elementos do pop, construindo narrativas abertas à interpretação do público. A proposta é que cada canção funcione como um convite para diferentes leituras e descobertas.
“As letras sempre trazem uma reflexão sobre a forma como a sociedade tenta enquadrar as pessoas em padrões. A figura do louco, para nós, representa justamente quem tem coragem de seguir o próprio caminho, sem ser guiado pelo medo ou pela necessidade de corresponder às expectativas dos outros. No fundo, é um convite para que cada um encontre sua própria verdade e viva com mais consciência e liberdade", contextualiza Bicca.
Embora o EP ainda não tenha seu título oficialmente divulgado, o conceito que norteia o novo trabalho está relacionado à ideia da jornada, um tema que dialoga diretamente com a essência da Carta do Louco e com o simbolismo que inspira o próprio nome do projeto desde sua criação. O trabalho também mantém a proposta que caracteriza a banda desde o início: reunir músicos convidados de diferentes trajetórias para construir cada gravação de forma colaborativa.
Sem antecipar todos os detalhes, Mateus Bicca e Zeca Duarte preferem deixar que a música fale por si. Enquanto o lançamento oficial ainda é preparado, o novo EP já surge como a confirmação de uma proposta artística que cresce sem abrir mão da experimentação, da poesia e da riqueza da música brasileira.